Imagem da barriga de uma gestante. Ela está com as mãos sobre a barriga e usa um vestido verde oliva.

Fases do trabalho de parto: quais são e o que fazer

A proximidade do parto costuma despertar muitas emoções, ansiedade, expectativa e, principalmente, dúvidas.

Embora cada gestação seja única, o trabalho de parto geralmente segue etapas bem definidas, acompanhadas por mudanças graduais no corpo da gestante, como o surgimento de contrações, a dilatação do colo do útero e outros sinais que indicam que o bebê está cada vez mais perto de nascer.

Conhecer essas fases ajuda a compreender melhor o que está acontecendo com o seu corpo, reconhecer os sinais do trabalho de parto e viver esse momento com mais segurança e tranquilidade.

Neste conteúdo, você vai descobrir:

  • quais são as fases do trabalho de parto;
  • quanto tempo cada etapa costuma durar;
  • como identificar os sinais;
  • quando procurar o hospital.

Como saber se estou em trabalho de parto?

Nem sempre é fácil identificar quando o trabalho de parto realmente começou, especialmente para quem está vivendo a primeira gestação. Isso, porque não existe um único sinal capaz de confirmar o início desse processo. 

Na prática, além de observar como você está se sentindo, a equipe médica que acompanha o pré-natal ou que está de plantão avalia um conjunto de sintomas e alterações no corpo da gestante que costumam indicar que o parto pode estar próximo. Entre eles estão:

  • contrações uterinas intensas;
  • contrações regulares, com intervalos cada vez menores (por exemplo, a cada 5 minutos);
  • contrações regulares com duração semelhante entre si (por exemplo, sempre entre 50 e 60 segundos);
  • afinamento do colo do útero em torno de 50%, avaliado pela equipe médica;
  • dilatação do colo do útero entre 3 e 4 centímetros, confirmada durante o exame obstétrico;
  • rompimento da bolsa, que pode acontecer antes ou durante o trabalho de parto, mas que, isoladamente, não confirma que ele já começou.
  •  Sentiu que a bolsa rompeu? Veja o que fazer e quando se preocupar.

Quais são as 4 fases do trabalho de parto?

Durante o pré-natal, a gestante e a equipe médica definem, sempre que possível, a via de nascimento mais adequada, considerando fatores como as condições de saúde da mãe e do bebê, a posição fetal, a localização da placenta e as preferências da família.

Quando o parto vaginal é a melhor opção, é importante conhecer as quatro fases que fazem parte desse processo, que são a latente, a ativa, o expulsivo e a dequitação. Cada etapa tem características próprias e desempenha um papel fundamental até a chegada do bebê, tornando essa experiência ainda mais marcante.  

1. Fase latente do trabalho de parto: sinais, duração e o que fazer

A primeira fase do trabalho de parto costuma ser também a que gera mais dúvidas. Afinal, como saber se o parto realmente começou? Na fase latente, as contrações ainda são leves e irregulares, e o corpo começa a se preparar para a dilatação do colo do útero. 

Embora essa etapa possa durar várias horas, ela faz parte da evolução normal do parto e, na maioria dos casos, permite que a gestante permaneça em casa com tranquilidade até que o trabalho de parto avance.

Quais são os sinais da fase latente?

Contrações leves, irregulares e espaçadas são os principais sinais da fase latente. Algumas mulheres as descrevem como uma sensação de cólica menstrual, dor nas costas ou um leve aperto no abdômen.

Cada contração pode durar, por exemplo, entre 30 e 45 segundos e acontecer a cada 15 ou 30 minutos. Depois, esse tempo vai diminuindo e as contrações podem surgir a cada 5 ou 10 minutos. O mais importante é perceber se há um padrão entre elas. Se não houver, você ainda está na fase latente.

Quanto tempo dura a fase latente?

A fase latente pode durar muitas horas, em média cerca de 8 horas em primíparas (mulheres que nunca tiveram filhos) e cerca de 5 horas em multíparas (gestantes que já tiveram filhos). Mas isso pode variar muito de mulher para mulher. 

A duração é considerada normal se durar menos de 20 horas no primeiro caso e menos de 12 horas no segundo.

O que fazer durante a fase latente?

Muitas mulheres permanecem em casa durante essa fase, fazendo atividades leves e descansando. Aproveite para terminar de arrumar as malas, avisar a família e os amigos, tirar fotos, comer algo gostoso, assistir uma série e descansar para o próximo estágio do seu trabalho de parto.

Ainda, em alguns casos, a bolsa amniótica pode estourar nessa fase, ou mesmo antes da mulher sentir qualquer contração. Isso não significa que o bebê está nascendo e você precisa sair correndo em direção à maternidade, como nos filmes e novelas. 

É importante verificar a cor do líquido e entrar em contato com o seu médico ou parteira para informar o ocorrido, mas, de modo geral, a orientação é aguardar em casa e descansar até que o parto entre na fase ativa.

2. Fase ativa do trabalho de parto: quando ir para a maternidade

A fase ativa é quando o trabalho de parto começa a evoluir e chegou o momento de se dirigir para a maternidade, pois é quando ocorre a transição para o expulsivo, momento em que o bebê nasce. Além disso, a gestante provavelmente vai sentir a necessidade de ir para o hospital pela intensidade das contrações. Nessa fase também é comum que ocorra o rompimento da bolsa amniótica.

Como são as contrações na fase ativa?

Nesse estágio, as contrações uterinas passam a ser mais intensas e regulares (tanto no tempo de duração quanto no intervalo entre elas). Geralmente elas começam a apresentar um padrão. Por exemplo, podem durar de 45 a 60 segundos e ocorrerem a cada 3 ou 5 minutos. A dilatação começa a progredir e deve chegar até o limite de 10 cm.

Muitas mulheres descrevem essas contrações como uma pressão intensa ou uma dor que pode irradiar da parte inferior das costas para a frente do abdômen.

Quanto tempo dura a fase ativa?

Nas primíparas, a fase ativa dura em média 8 horas e é pouco provável que dure mais que 18 horas. Nas multíparas, dura em média 5 horas e é pouco provável que dure mais que 12 horas.

Tradicionalmente, espera-se que o colo do útero dilate 1,2 cm/hora em gestantes que não tiveram filhos e 1,5 cm/hora em gestantes que já tiveram filhos, lembrando que são médias que podem ou não ocorrer.

Quando devo ir para o hospital?

Quando está ocorrendo tudo bem com a gravidez, a gestante pode se deslocar ao hospital quando sentir as contrações ritmadas e fortes. É importante também se dirigir à maternidade quando tiver qualquer outro sintoma fora do normal como sangramento, diminuição dos movimentos do bebê e dores incomuns.

Mulheres com gravidez de alto risco, como aquelas com pressão alta, diabetes gestacional ou outras complicações, devem seguir as orientações específicas do obstetra e procurar a maternidade ao primeiro sinal de trabalho de parto.

O que fazer durante a fase ativa?

Além de buscar atendimento médico, é importante focar em técnicas de respiração e relaxamento. Receber apoio do seu parceiro, da parteira/doula ou da equipe médica pode ser muito útil. 

Manter-se hidratada, caminhar, mudar de posição frequentemente e até tomar um banho de chuveiro pode ajudar a aliviar o desconforto. Essa fase pode ser a mais cansativa, mas também é um sinal de que o nascimento está muito próximo. Fique firme que o bebê está chegando!

3. Expulsivo: a fase do nascimento do bebê

Na fase do expulsivo, o colo do útero está completamente dilatado em 10 cm, e a mãe começa a fazer força durante as contrações, como se quisesse empurrar o bebê para baixo e para fora. Isso ajuda a deslocar o bebê pelo canal de parto. A fase termina com o nascimento do bebê. 

Como saber se o bebê está nascendo?

Um dos sinais de que o bebê está nascendo é quando a gestante sente necessidade de fazer força para baixo, uma atitude fisiológica e espontânea. Essa é uma atitude tão instintiva quanto outros eventos fisiológicos, como respirar. 

Como são as contrações no expulsivo?

As contrações na fase expulsiva são muito intensas, regulares e mais próximas umas das outras. Podem ocorrer a cada 2 a 3 minutos e duram cerca de 60 a 90 segundos. A mãe também deve sentir o coroamento da cabeça do bebê, que traz uma sensação de queimação. 

Quanto tempo dura o expulsivo?

A etapa do expulsivo tende a ser uma das fases do trabalho de parto mais rápidas, mas não há um limite para a duração total, desde que a frequência cardíaca do bebê esteja normal e a equipe médica observe algum grau de progresso.

Não é considerado um tempo longo até três horas em primíparas e duas horas em multíparas (ou quatro e três horas, respectivamente, se tiver sido usada analgesia). Em geral, a média do primeiro caso é de 50 minutos e 20 minutos no segundo.

Já os empurrões feitos pela mãe devem durar o tempo da contração, geralmente entre 5 e 7 segundos, e depois permitir que o corpo relaxe até a próxima.

Como fazer a força do parto?

O recomendado nesse momento é escolher a posição mais confortável, manter-se focada, colocar atenção na respiração e sentir o impulso natural do corpo para fazer força. 

Quando sentir a contração se aproximando, inspire profundamente e faça força intensamente como se estivesse empurrando para baixo, em direção ao reto, soltando o ar. Relaxe até a próxima contração e comece novamente. Essa força fará com que o bebê desça pelo canal vaginal até o momento do nascimento. 

A vocalização durante os empurrões pode ajudar a liberar a tensão e a energia necessárias. Caso a gestante demonstre dificuldade de perceber as contrações, como em casos de analgesia, a equipe médica poderá prestar auxílio e indicar a melhor forma de fazer isso.  

4. Dequitação: saída da placenta após o parto

A dequitação é a fase final do trabalho de parto, quando a placenta e as membranas são expelidas pelo útero. Nessa etapa, as contrações costumam ser mais leves e a equipe médica acompanha a saída da placenta, que geralmente ocorre em até 30 minutos. Essa etapa é crucial para garantir que o útero se contraia adequadamente, evitando hemorragias e promovendo a recuperação pós-parto.

Você pode optar por aguardar a saída dela naturalmente ou pedir para que o médico auxilie na retirada, aplicando uma leve pressão no abdômen ou puxando suavemente o cordão umbilical para ajudar na expulsão.

Com o seu bebê nos braços, é hora de relaxar, descansar e aproveitar a golden hour, ou seja, os primeiros momentos com o seu pequeno.

Quando devo ir para o hospital?

Quando está tudo bem com a gravidez, a gestante pode se deslocar ao hospital ao sentir contrações ritmadas e fortes (fase ativa). Também é importante ir à maternidade diante de qualquer sintoma fora do normal, como sangramento, diminuição dos movimentos do bebê, dores incomuns ou caso a gestante não se sinta segura em permanecer em casa.

Mulheres com gravidez de alto risco (pressão alta, diabetes gestacional ou outras complicações) devem seguir as orientações específicas do obstetra e procurar a maternidade ao primeiro sinal de trabalho de parto.

Quanto tempo pode durar o trabalho de parto?

Não existe um tempo único considerado normal para o trabalho de parto. Sua duração pode variar bastante de uma mulher para outra, especialmente quando se trata do primeiro bebê.

Outro ponto importante é que ainda não existe consenso sobre o momento exato em que o trabalho de parto começa. Embora, na prática, o início seja geralmente identificado pela presença de contrações regulares e dolorosas associadas à dilatação do colo do útero, os estudos mostram que essa definição pode variar. As evidências científicas indicam que a progressão do parto pode depender de fatores como a paridade (se é o primeiro parto ou não) e que a aceleração da dilatação costuma acontecer a partir de 5 cm.

Uma revisão científica que reuniu dados de cerca de 208 mil mulheres mostrou que, nas gestantes de primeira viagem, a fase ativa do trabalho de parto costuma durar, em média, entre 4 e 6 horas, embora possa se estender por mais tempo sem representar, necessariamente, um problema. Já a fase de expulsão do bebê geralmente dura entre 14 e 66 minutos nas que estão no primeiro bebê e entre 6 e 12 minutos nas mulheres que já tiveram parto vaginal. 

Além da experiência de um parto anterior, outros fatores também podem influenciar a duração do trabalho de parto. Nas gestantes de primeira viagem, por exemplo, bebês com maior peso tendem a prolongar a fase ativa e o período expulsivo. Já intervenções como a ruptura artificial da bolsa e a analgesia podem aumentar a duração do primeiro estágio e do trabalho de parto como um todo. Por outro lado, o uso de ocitocina, quando indicado pela equipe médica, pode contribuir para reduzir esse tempo.

Pródromos: sinais de que o parto se aproxima

O corpo da gestante pode começar a se preparar para o parto dias ou até semanas antes de iniciar realmente o trabalho de parto. Esses sinais são chamados de pródromos e são caracterizados por contrações irregulares, desconforto pélvico, saída do tampão mucoso, dor lombar, entre outros.

Para saber como diferenciar os pródromos do trabalho de parto ativo, quanto tempo eles costumam durar e como aliviar o desconforto, preparamos um conteúdo dedicado somente a esse assunto, intitulado “Pródromos na gravidez: entenda os sinais do corpo antes do parto”.

Como lidar com a dor do parto?

A intensidade da dor varia de mulher para mulher, mas envolve fatores que vão além da dilatação cervical: o ambiente do parto, experiências anteriores, o quanto a gestante se sente segura e amparada.

Existem diversas estratégias para tornar essa experiência mais confortável, da analgesia a métodos não farmacológicos e o apoio de uma doula. Detalhamos cada uma delas em Como aliviar a dor do parto: técnicas e opções.

Perguntas frequentes sobre as fases do trabalho de parto

Como contar as contrações?

Marque o intervalo do início de uma contração até o início da próxima, e observe quanto tempo cada uma dura. Por exemplo, se uma contração começa às 14h e a seguinte às 14h05, o intervalo entre elas é de 5 minutos.

Toda contração significa parto?

Nem toda contração indica início de trabalho de parto. Durante a gestação, é comum sentir contrações que fazem parte da preparação do corpo para o nascimento, como as contrações de treinamento (Braxton Hicks) e os pródromos. Elas costumam ser irregulares, menos intensas e podem diminuir com repouso, hidratação ou mudança de posição.

É normal o trabalho de parto parar?

Quando o trabalho de parto ativo está bem estabelecido, com contrações regulares e dilatação progressiva, espera-se que ele evolua continuamente até o nascimento. Se houver lentidão ou interrupção, a equipe médica avaliará se alguma intervenção é necessária.

Quanto tempo dura um parto normal?

Não há um tempo padrão. A duração do parto normal varia de acordo com diversos fatores, como ser o primeiro bebê, a evolução das contrações, a dilatação do colo do útero e as características de cada gestação. Em geral, o primeiro parto costuma durar mais do que os seguintes.

Posso ficar em casa no início do trabalho de parto?

Em gestações não consideradas de risco, quando a mãe se sente segura e o bebê está bem, muitas mulheres podem permanecer em casa enquanto as contrações ainda são leves e irregulares. É importante procurar a maternidade quando as contrações se tornarem regulares e intensas, houver rompimento da bolsa, sangramento importante ou diminuição dos movimentos do bebê.

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